Início › Artigos › Reposição hormonal pelo SUS
Por Beatriz Camargo (nome editorial) · 18 de setembro de 2026 · 7 min de leitura
A conta do tratamento particular é o que faz muita mulher desistir antes de começar. A pergunta que vem depois quase nunca tem resposta clara — isso existe no SUS? Existe, com limites que vale conhecer antes de ir à consulta.
Quer organizar o que mudou? O questionário educativo de 10 perguntas reúne ciclo e sintomas e devolve um resumo para você observar — sem diagnosticar fase.
A RENAME do Ministério da Saúde orienta os medicamentos e insumos disponíveis no SUS. O Manual de Atenção às Mulheres na Transição Menopausal e Menopausa (2026) também observa que a disponibilidade de alguns hormônios pode ser irregular em diferentes municípios. A lista abaixo deve ser conferida na RENAME vigente e na rede local.
Antes dos 40? Aí a investigação é outra, com critério próprio de exame e tratamento em dose diferente. Veja menopausa precoce: sintomas, exames e tratamento.
Aqui está a parte que ninguém explica antes da fila. A compra e a distribuição são descentralizadas. O Ministério repassa recursos aos estados, que compram e distribuem, então nem toda unidade terá tudo o que consta na lista. Na reportagem citada, uma endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia afirma que, na prática, o que se encontra com mais facilidade é o creme vaginal, usado para secura e ardência.
Duas consequências práticas. A primeira é que vale perguntar na própria unidade o que tem em estoque antes de criar expectativa sobre um formato específico. A segunda é que negativa numa UBS não significa que o SUS não ofereça — significa que aquela unidade, naquele mês, não tem.
E o ressecamento? É o sintoma que costuma piorar com o tempo em vez de melhorar, e tem tratamento específico. Está em secura vaginal na menopausa.
Em serviços especializados o fluxo é o mesmo, com critérios explícitos. O Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia do Rio de Janeiro, por exemplo, atende mulheres com sintomas do climatério dentro de até dez anos da última menstruação e com menos de 60 anos, e entrega os hormônios gratuitamente na farmácia da própria unidade.
Esse critério de dez anos e 60 anos não é burocracia. Ele reflete o entendimento de que o balanço entre benefício e risco da terapia hormonal é mais favorável quando ela começa perto da transição, e muda quando se inicia muito depois. Fora dessa faixa a conversa não acaba, mas passa a ser mais individual, e a decisão é sempre do médico com você.
Dez minutos não dão para reconstruir dois anos de sintomas de memória, e é essa a diferença entre sair com um plano e sair com "vamos observar".
Nosso material sobre quais perguntas levar ao médico sobre TRH detalha o que perguntar depois que a prescrição entra na mesa.
Parte das mulheres tem contraindicação, e parte simplesmente prefere não usar hormônio. Nos dois casos ainda existem medidas de rotina e opções não hormonais que podem ser discutidas com profissionais de saúde. Sono, alimentação, movimento e manejo de calor podem fazer parte do cuidado, mas não têm efeito garantido nem substituem tratamento indicado. É disso que trata o programa de 28 dias, que é educativo e não substitui acompanhamento médico, nem terapia hormonal para quem tem indicação.
Sim. A Relação Nacional de Medicamentos Essenciais inclui estrogênios e progestágenos para o climatério. A disponibilidade real, porém, varia de município para município, porque a compra e a distribuição são descentralizadas: o Ministério da Saúde repassa recursos aos estados, que compram e distribuem.
Estrogênio conjugado 0,3 mg, acetato de medroxiprogesterona 10 mg, noretisterona 0,35 mg, estrogênio conjugado tópico vaginal 0,625 mg/g e estriol tópico vaginal 1 mg/g. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa, o que se encontra com mais facilidade na ponta é o creme vaginal.
O caminho é agendar consulta na Unidade Básica de Saúde mais próxima, levar documento, cartão do SUS e comprovante de residência. O médico avalia sintomas, pede exames como mamografia e sangue e, havendo indicação, prescreve ou encaminha ao especialista.
Serviços públicos especializados costumam adotar a chamada janela de oportunidade: iniciar até cerca de dez anos após a última menstruação e antes dos 60 anos. Fora dessa faixa, a avaliação de risco e benefício muda, e a decisão é individual, com o médico.
Disponibilidade de medicamentos pode mudar por município e por período. Consulte a rede local.